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Silenciosas horas... Alta Madrugada...
Aparece você, surgindo do nada
carinhoso de amor vem me falar...
Dedos nervosos, febris, latejantes,
apertam o teclado, digitam sem vacilar
respostas aos seus beijos flamejantes...
E no intenso prazer desse momento,
corpo e alma unem-se frementes
na voragem desse encantamento...
Transformo-me então em sua fêmea,
radiante e luminosa namorada,
amante exuberante, alma gêmea,
mulher completamente apaixonada....
Em comunhão total de pensamentos
ligados nesse virtual espaço
entrego meu corpo ao seu abraço.
E nesse velado deslumbramento
o amor delirante entra em ebulição
novamente, depois de fatigado,
ter sido esgotado, usado e lavado
no imaginário da nossa excitação...
Altas horas... Silenciosa madrugada.
Cama vazia, solidão, quimeras,
desejos rasgados, suaves caricias...
Ilusão de quem triste, à espera,
vive somente da voz e da fotografia
cravada e perdida no olhar.
Inconformada, dou à melancolia
motivos para de mim se apossar.
Presumo sua imagem no meu leito,
abraço o vazio sentindo frio n'alma...
Protejo, em vão, seu corpo abstrato
com o meu, sem nenhum recato...
fecho os olhos, me invade a calma,
longos momentos de alucinação...
Nas sombras febris do inconsciente
dançam vultos se inflamando.
Não sei se você chegando
ou alguém que de mim partiu...
Transforma-se num rito de maldade,
para meu coração que se esvaiu,
Minha insensata e virtual realidade...
Autoria: Elen
de
Moraes
Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - Brasil
Biblioteca Nacional
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