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O que sou para você?
Sou apenas versos e tenho muitas prosas.
Sou a palavra escrita na tela do computador.
Não me olha, não me toca, não me vê.
Só me lê. Só me aplaude.
Não revelo meu segredo.
Não ficamos juntos vendo o mar.
O telefone mal toca vez ou outra
Quando toca...é sempre profissional,
é só, olá, como vai?...Até Logo.
Ouço sua voz e a distância compactua
com os fios, compasso armado do progresso.
No telefone a timidez nos alcança justamente
por conhecermos melhor nossas letras
que nossas vozes.
O Windows nos anuncia com mais
freqüência
seu e-mail chegou...
mudou de fonte...
mudou a cor...fico feliz...
e a palavra escrita continua ser linear.
O que sou...
quem é você?
Queria ficar perto, tomar vinho,
ouvir som, jogar baralho.
Vejo sua foto, será mesmo você?
Imagino seu dia, não...você nem sabe do meu
...nem perguntou.
Num porta-retrato posso ver sua imagem, mas...
diriam os mais sábios : enlouqueceu.
Você nem me conhece, nem me toca, nem convive.
Sabe um nome, um nick, e...nada mais.
Eu me pergunto, que amizade é essa?
Existirá uma amizade assim?
Poderemos fazer disso uma
realidade consistente?
Já andei me machucando por aí...
e você, se pergunta isso também?
Sentimos a mesma coisa?
Nem disso falamos...nunca falamos
...só escrevemos.
Dizer, vamos sair, seria trocar de chat,
trocar de lista?
Vamos continuar a ser prosa e verso
nessa rede sem início nem fim?
Tem que ser assim?
E quando nos desentendemos...
nos deletaremos simplesmente?
Será...???
Autoria: Cláudia Vilela de Andrade
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